O IGARAPÉ DO INFERNO – 13 DE 18


Noite escura. Chuva. João tirou da gaveta o lápis e o caderno e começou a escrever. Molhou primeiro a ponta do lápis com saliva. “Querida mamãe, daqui espero que a senhora esteja bem, junto com a maninha e todos aí. Eu estou trabalho agora, na casa de um senhor muito idoso, muito doente, chamado Manuel. Meu patrão é meio louco, mas é um bom patrão. Ele diz que vai morrer logo, os médicos dizem que ele tá pra morrer e ele não vai durar muito.”
Pela janela, João via cair a chuva, pesadamente. Ouvia a chuva. A luz do quarto oscilava. João sentiu-se perseguido e sozinho. E continuou a escreveu:
“Querida mamãe (outra lambida na ponta do lápis), meu patrão tem câncer, como a vovó Lucília, e sente muitas dores. Quando ele tá com muita dor, ele aplica uma injeção nele, e às vezes ele dorme, e ele desmaia. Ele diz que é injeção de cocaína, ou morfina, ou heroína, eu não sei. Ele diz que se sente bem depois da injeção. Quando ele não tem aquela injeção em casa ele fica muito nervoso, grita comigo, telefona para o amigo dele aos gritos para conseguir aquela injeção. Quando começa a doer o fígado, ele grita grita e toma a injeção. Ele mesmo aplica. Ele diz que vai morrer tomando aquilo.”
Relâmpago forte. João olhou para a página onde escrevia. Debaixo dela havia uma revista pornográfica, já velha. João tinha comprado aquela revista num sebo, na esquina. Continuou:
“Sabe, mãe, quando ele tá melhor eu tenho de gravar para ele uma estória maluca passada aí no Amazonas chamada o igarapé do inferno. Ele tem um gravador e eu gravo gravo numas fitas K7 numeradas. Vai até a madrugada. De manhã vem a Lurdinha aqui para datilografar. A senhora nem sabe como ela faz rápido. A Lurdinha fica trabalhando num quarto separado o dia todo. Mas só quando tem fita nova. E ela datilografa e entrega os papéis para o Sr. Manuel, que é o nome do meu patrão. Depois ela vai embora. Foi ela quem copiou e corrigiu está carta que estou escrevendo pra senhora, pois ela é especialista. Eu tenho poucas letras, mas aqui continuei estudando no Mabe, de noite. Mas agora tive de parar porque o meu patrão não pode ficar sozinho e as aulas eram à noite.
Espero que a senhora receba esta carta com saúde e paz,
Um beijo, João Manuel”

CONTINUA…

Por Rogel Samuel

O IGARAPÉ DO INFERNO – 12 DE 18


– Você está dormindo, seu viadinho de merda! Não? Não está?
Pois digo: Pierre Bataillon avançou naquela parte mais íntima, mais esotérica da floresta, igarapé acima.
Ele costeava os limites imprecisos da morte. Da sua morte!
Entre a tropa de guerra e a floresta dos Numas se estabelecia uma reciprocidade tática de respeito e de raivas.
É o que digo, Pierre deixava presentes, miçangas, facas e frutas, em bandejas de madeira.
Os Numas nunca tocavam naquilo.
Entre o Seringal e os Numas não havia comunicação.
O quê? Sim, sim, o Seringal, à espera.
Os Numas, na observação, invisíveis, os putos.
Pierre evitava a guerra, buscava solução política, economizava-se, agia conforme a natureza de seus princípios, sem o risco de pagar pelo preço elevado da morte.
Você sabe o que é a morte? A morte? A morte é isto, o que eu hoje sou… olhe pra mim… olhe pra mim!… nos meus olhos você a vê… nos meus olhos você vê o espelho da morte, à medida que morro estou e sou a própria morte!
Não, não se assuste. Apenas ouça.
Pierre era aquele homem magro, baixinho, tinha 1,50m de altura, elegante no cotidiano, no dia a dia, já saía do quarto todo vestido, arrumado, empertigado, ereto, a cabeça levantada, bigode à Vercingetórix, como o de Nietzsche, com quem se parecia, altivo, mas sem ridículo, ele era neto do Duque de Cellis, uma das linhagens mais nobres de Espanha, família de reis, que vinha da antiga Roma, passava pelos reis de Espanha, inteligente, culto, falante em vários idiomas, sempre ao lado de sua silenciosa mulher, D. Ifigênia Vellarde, peruana de Resvalladero, católica, filha bastarda de índia quíchua com o primo do nobre boliviano D. Angel Vellarde – derrotado em 1902 por Plácido de Castro, na Batalha de Santa Rosa – ela não gostava do luxo, era doceira, bordadeira exímia de vestidos de seda rosa cálido, tinha dois grandes diamantes como grossas lágrimas caindo dos lóbulos das orelhas, quais espantosos sóis, e sua ascendência foi usada pelo marido em alianças e pactos durante a Guerra do Acre, quando ele fez o hábil jogo da duplicidade, com brasileiros e bolivianos, ficando em paz com os dois lados, dos dois tirando proveito, principalmente valendo-se do fato de estar protegido da guerra por uma impenetrável massa de 400 km de floresta, de pântanos e de flores, sim, era impossível conceber como sobrevivia aquele fidalgo, engastado na floresta, cercado de luxo, de livros, de violinos, de quadros e de móveis…
– “Assim é o látex”, dizia ele – “elástico como o caráter”. E sai daquelas árvores como coisa fundamental, gomosa, líquido viscoso sob a casca do corpo, o pus, o plasma aquoso branco, a goma, a seiva selvagem do muco que faz sangrar a floresta pegajosamente, o pus, a terra e o esperma…
– “É assim a seringa… o sangue da Amazônia que colhemos como um estranho mal e que um dia teremos de pagar, muito caro”.
Sim, sim, Pierre se mantinha moralmente firme, naquele tempo, quando se sitiava o Seringal num cerco, num campo de concentração durante o cerco da dominação Numa.

CONTINUA…

Por Rogel Samuel

O IGARAPÉ DO INFERNO – 11 DE 18


Mas lentamente os Numas cercaram o Seringal. Como sombras. Fecharam o seringal nos seus próprios limites. Impediram a expansão desmesurada.
O Seringal era imenso. Viajava-se dias, dentro dele. O Seringal teve de estacar, deter-se, refluir, limitado pela invisibilidade. Encontrou seu termo invisível.
Os Numas eram como se não existissem. Senão pelo vazio de sua ausência. Inumeráveis, recobertos, no nenhum lugar, no não-traçado.
Freqüentemente, estavam nas árvores e pássaros do céu.
Mas não eram aparência, mas imanência.
Herméticos, multiplicados, fortes.
Sem guerrilha, possíveis mas improváveis, mitificados, solidários, violentos, irreconciliáveis.
Prontos ao ataque. Que nunca se dava.
Fadados a matar.
Apavoravam.
Eles eram pontos estratégicos, desconhecidos, na correlação de poder daquela natureza, de que eram guardiões.
Distribuíam-se, de modo incompreensível, irregular, em focos de força. E viviam em qualquer lugar, pois eram capazes de sobreviver até debaixo da água, em bolsas de ar.
À noite eles se disseminavam. Preparavam armadilhas nos caminhos, pequenas cobras venenosas.
Mas eram seres frios, enevoados. Deuses que desciam para nos justiçar de noturnas culpas, olhos espalhados por toda a parte, observando.
Às vezes deixavam-se entrever.
Muitos seringueiros tentaram caçá-los a tiros, e por isso logo após eram mortos numa vingança fria e precisa. Eles tudo sabiam, se deslocavam rápidos. Como um sopro. Rompiam além, na nossa frente. Ou só som, se reagrupavam nos caminhos, deixando propositais pegadas, recortavam o ar com sibilantes flechas de vento, cruzavam redes de relação dentro do Seringal, infiltrados, atravessando.
Algumas vezes chegaram ao jardim do Palácio, para afrontar.
São homens? São fantasmas? Encantavam-se na floresta de ouro puro.
Em sinais diziam: “estive aqui”.

CONTINUA…

Por Rogel Samuel

O IGARAPÉ DO INFERNO – 10 DE 18


QUANDO, em 1876, Pierre Bataillon alcançou aquelas terras ignotas, primeiramente encontrou uma pequena aldeia Caxinauá, no temor dos Numas sujeita, na exterioridade e imobilidade do poder Númico.
Dir-se-ia que os Numas os toleravam. Temporariamente. Mas que a qualquer momento poderiam vir, para os supliciar, exterminar.
A aldeia Caxinauá se espremia entre os Numas. Imprevisíveis. Lá, onde só era possível encontrar seringueiros perdidos, gente ficada da expedição de 1852.
Os Caxinauás tiveram contato com Romão de Oliveira.
Os Numas não.
Reagiram, violentamente.
Desde 1847, quando Francis de Castelnau por ali passou, e os descreveu na Expedition dans les parties centrales de l’Amerique du Sud. Um raro exemplar havia na biblioteca de Pierre Bataillon.
Também Travestin, no Le fleuve Juruá, se referia às lutas que tiveram contra os Numas.
Em 1854, João da Cunha Correa, Diretor dos Índios, subiu o Tarauacá, descobriu o rio Gregório, o Mu, sem contato.
Pierre Bataillon chegou em 1876.
É o que digo, ah ah ah. Eu é que o digo!
Naqueles anos os Numas lá não estavam.
Passaram-se vários anos sem eles.
Pierre estabeleceu seu domínio com facilidade, sobre terras dos pacíficos Caxinauás.
Uma das inúmeras aldeias Caxinauás da Amazônia.
Pierre impôs a paz. A ordem. Destruiu a cultura Caxinauá pela raiz, novo deus que era. Eles se submeteram sem reclamos. Quase alegres.
As mulheres e os rapazes Caxinauás se transformam em objetos do Seringal. Submetidos pela força da tropa de guerra do Coronel.
A pequena aldeia, empestada de tifo, malária, sarampo e sífilis, quase desapareceu: uma epidemia de gripe, em 1891, dizimou um terço da sua população.
Os Caxinauás se reduziram a 84 viventes agricultores.
Ah, ah, ah… – mas..
Dez anos depois, porém, voltaram os Numas, os escrotos, dos mistérios das montanhas peruanas. Onde para sempre se escondiam.
O quadro se modificou.
Com os Numas não!
Arredios, móveis, vigilantes, foragidos, perdidos, livres, Eles impuseram a resistência e a Lei!
Não e não!
Reagiram ao pacto, ao toque, ao contato.
Pois onde há resistência, há poder.
Os Numas se submetiam a si mesmos, refugiavam-se em si. Na multiplicidade de seus pontos de força, insistindo em ser invisíveis, imprevisível, no espaço do mundo amazônico.
Filhos de puta! Estavam em toda a parte. Mas ninguém os via!
Lá, na exterioridade do poder do Seringal. Lá, na rede florestal.

CONTINUA…

Por Rogel Samuel

HANK – SEM SAÍDA – CAP.2


Léo acordou com pressa.

Escovou os dentes, tomou café e saiu. Se dirigiu até a corretora de seu pai e abriu a porta. Durante a viagem de ônibus, notara olhos fixos em sua pessoa, pois a notícia já saira no jornal e ele fora fotografado no fórum pela imprensa e rotulado como “o filho do assassino”.

Deu o sinal para o motorista parar e desceu no quarteirão da corretora.

Quando o ônibus seguiu sentiu uma caneta colidir com sua cabeça e cair no chão. Sentiu dor e passou a mão na cabeça, fazendo uma massagem e ainda chegando a ouvir uma voz abafada dizer “filho de assassino”.

Olhou em direção ao ônibus já longe. Abaixou-se, pegou a caneta, mirou a mesma e sério, balançou a cabeça negativamente. Pegou a caneta e pôs no bolso. Resolveu que ela seria seu talismã da sorte e que a partir de agora, aquela caneta ajudaria a achar o assassino que havia destruído a vida de seu pai.

Andou meio quarteirão até a corretora e abriu a porta de cor verde. Inseriu a chave na porta e olhou fixamente para a mesma alguns segundos como pensasse algo.

Então girou a chave na porta, entrou e fechou.

Notou então que a polícia havia colocado fitas que bloqueavam o acesso de pessoas ao escritório de seu pai e de Nilson.

Notou então, um movimento na porta que se abriu e entrou o delegado Vado junto com dois policiais. Léo então foi até eles.

- O que estão fazendo aqui? – perguntou Léo seriamente ao delegado.

- Calma rapaz, viemos apenas tirar as faixas e liberar a  corretora para seguir em frente – afirmou o delegado.

- O Sr. quer dizer, depois de acabar com a vida de meu pai não é?

- Sr. Leonardo, eu não sou o inimigo, acho que o senhor está confundindo as bolas.

- Eu sei o que o Sr. disse na cara do meu pai ao prendê-lo – comentou Léo Remoendo-se de raiva.

- Meu amigo, pelas investigações e  pela minha experiência, temos que pressionar o suspeito para que ele revele a verdade. Infelizmente seu pai entrou por caminhos que não iriam dar em boa coisa. Eu, como delegado de policia tenho obrigação de prendê-lo para ter um julgamento justo, e as provas estavam contra eles, no mais quem decidem se o seu pai é inocente ou não, é o júri e não eu.

- Eu não entendo como vocês não investigaram mais. Vocês com um pouco mais de boa vontade poderiam achar mais pistas que levassem ao verdadeiro assassino.

- Sr. Eduardo eu não costumo a duvidar de uma impressão digital que é prova irrefutável para acusar alguém, principalmente em um caso de assassinato. Estou liberando o prédio para a corretora ir em frente.

- Imagine delegado quantos clientes irão aparecer naquela porta para fazer contrato conosco e imagine da mesma forma quantos clientes atuais irão querer finalizar seus contratos.

O delegado olhou fixamente para o jovem por alguns segundos e disse:

- Eu sinto muito meu rapaz…eu sinto muito mesmo. Boa sorte daqui para frente.

E dizendo isso, o delegado saiu pela porta e dirigiu-se a destino ignorado.

Léo ficou pensativo por alguns minutos e depois começou a procurar a agenda de seu pai em sua sala. Olhou na escrivaninha. Abriu três gavetas do lado esquerdo da mesa e nada.

Resolveu abrir a portinhola do lado direito na parte inferior da mesa e lá estava uma bonita agenda de capa azul. Léo a pegou e procurou a seção dos endereços telefônicos. Abriu na parte da letra “H”.

- Aqui está: Detetive Hank. Espero que esse telefone seja responsável por me dar muitas alegrias

Léo pegou o telefone e discou o número. Neste momento recolocou o telefone no gancho.

- Mas que letras são essas?  CAD? Porque CAD está na letra “H”?

Léo agora ligou em definitivo.

Uma voz feminina atendeu do outro lado da linha…

- Columbo’s Agency Detectives, good morning. How may I help you?

CONTINUA…

Por Alci Santos

O IGARAPÉ DO INFERNO – 09 DE 18


Fui eu o primeiro a avistar uma fêmea Numa. Ao vivo. Mas fui o único.
Aquelas águas escorriam desde o princípio do mundo, das partes íntimas do mundo. Gigantescas árvores deixam passar águas que vêm dos desconhecidos lugares numas. Os Numas lhes pertencem, da sobrevivência, esquecidas, feridas, passam. Frias. Se perdem. Perigo, atroz.
A princípio não se pode delimitar com precisão. Onde as terras dos Numas? Onde as do Seringal?
Depois se vêem.
Sentem-se.
No cheiro.
Nas raras marcas macias.
Uma flecha, especada no talo da árvore, atravessada na picada, vermelha. Um sinal.
Um galho, quebrado, que diz: “Não passarás”.
E, além da Curva do Tucumã, a passagem do eixo do rio em morte, que se separa.
Pode-se banhar e pescar, mas deste lado. Nunca do outro lado. O lado secreto.
Mas aos poucos os Numas se infiltravam.
Avançavam. Atravessavam.
Passavam além de si mesmos. Não respeitavam seus próprios limites.
Atravessaram o rio, a ordem, o marco que existia, invisível, no rio e na floresta.
A conduta, o êxtase, a curva onde moravam, o mediante, o perfeito domínio, os Numas se mexiam, silenciosos, invisíveis, nos múltiplos lados do rio, um rio em “S”, quase em sacado, um domínio incompreensível, ignorado, em torno do qual se distribuíam os seringueiros, aquela parte alta, terra-firme, cuidadoso controle, cordialidade.
O Seringal, todas as noites, era invadido por fantasmas.
O mundo se economizava.
Harmonia de gestos, noturnos, em nenhum momento involuntários, violentos, irrompendo no pacto tênue, presente, do espírito do silencioso do palco armado.
Não basta saber.
Não basta esquecer.
Não basta falar.
Assegurar a paz, conforme um crime, como se a verdade dependesse do oculto.
Não. Nada assustá-los, provocá-los.
Não ameaçá-los, procedimentos que advertiam a hierarquia estabelecida. Eles, fantasmáticos e míticos. Eles, em liberdade de vento.
Porque eles eram Nada.

CONTINUA…

Por Rogel Samuel

HANK – SEM SAÍDA – CAPÍTULO 01


Depois dos devidos esclarecimentos, foi permitido que Léo e Lívia falassem com Valdir.

- Pai, vamos descobrir quem armou essa para o senhor, pode esperar.

- Oh querido, você é uma pessoa tão boa, como podem fazer isso com você?

- Não se preocupem, pode demorar meses, mas eu vou sair. Eu vou provar minha inocência. Léo procure na minha agenda o telefone do Detetive Hank. Ele faz parte da Columbo’s Agency Detectives em Los Angeles nos EUA. Explique a situação para ele. Ele virá ajudar e não cobrará nada.

-Certo pai pode deixar.

Neste momento guardas se aproximaram e levaram Valdir para o presídio de segurança máxima Pierre Moutinho. Lívia e Léo ficaram observando sem nada poder fazer.

Mas o que aconteceu para Valdir se encontrar nessa enrascada? Nilson e Valdir eram sócios. Ambos se tornaram grandes amigos e logo depois do trabalho iam tomar uma cervejinha, mas não se embebedavam. Um dia Lívia foi ao bar chamar Valdir e conheceu Nilson. Passou a ter verdadeiro ódio dele pois alem de achar que ele era um mentiroso, além de ter se jogado uma vez para cima dela para mexer com Valdir. Na verdade, ela não o odiava, mas tinha asco da pessoa dele e o considerava um falso. Já Léo costumava rir muito de suas piadas quando ia até o escritório da corretora.

Valdir descobriu que ele subtraíra uma quantia irrisória da corretora, depois de uma briga, fez as pazes, mas nunca mais deixou a parte financeira por conta de Nilson.

Um dia ele não apareceu mais na corretora. Valdir tentou todos os números de celular, fixos e pessoas possíveis para obter informações dele, mas não conseguiu.

Alguns dias depois Nilson apareceu morto.

Foi encontrado sem vida em um hotel dentro de uma banheira com um bocal de lâmpada vazio em cima da barriga.

Segundo o serviço de inteligência ele foi eletrocutado.

- Onde aquele cara que conta piadas está pai? – perguntou Léo ao pai antes de ser preso.

- Sei lá ele tomou um chá de sumiço, porque o interesse?

- Alguém da família dele está ligando perguntando onde ele está.

- Diga que não tenho idéia.

Dias depois Valdir foi intimado a dar depoimento para a polícia. O delegado perguntou se tinha estado na cena do crime e Valdir disse que não. O problema é que uma das pessoas que deram depoimento disse que o tinha visto no hotel no dia em que foi morto. Foi ai que lembrou-se que tinha ido a um seminário sobre ciências contábeis naquele dia, mas nem tinha como saber que Nilson tinha estado lá, pois ele já tinha sumido da corretora.

Um dia a policia foi até a corretora e o prendeu por ter achado digitais suas em um revolver no quarto onde ocorreu o crime.

- Olá delegado em que posso ajudá-lo hoje?

- Cara, mas você é muito descarado mesmo, mas a policia está aqui é para pegar monstros como você.

- C-Como? Não estou entendendo delegado

- Acharam digitais em uma arma no quarto do hotel em que Nilson foi morto e elas são suas segundo o serviço de inteligência.

- Mas como? Eu não uso armas.

- Mesmo? Nem eu! Senhor Valdir o senhor está preso.

E assim o levaram para a cadeia onde permaneceu por algum tempo e depois foi transferido para o presídio. Semanas depois foi julgado no tribunal.

CONTINUA…

Por Alci Santos